Obesidade: a realidade de quase 20% dos brasileiros

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Sobre a obesidade, o dicionário diz “excesso de peso” mas é muito mais do que isso: é uma sentença de morte. Não será hoje, pode não ser amanhã, mas será, com toda a certeza, antes do  seu tempo. Apesar disto, porque o corpo humano é uma máquina muito funcional, a obesidade é reversível e, assim que se começam a perder os quilos a mais, notam-se alterações significativas na sua qualidade de vida.

A OBESIDADE NO BRASIL

Apesar da dieta dos brasileiros terem melhorado com a incorporação de frutas e hortaliças na alimentação diária, e a população adotar atividades físicas regulares, os índices de obesidade seguem crescendo por aqui. Pelo menos é o que indica a última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigital 2018), divulgada no dia 24 de julho de 2019 pelo Ministério da Saúde. Entre 2006 e 2018, houve um aumento de 67% na taxa de obesidade no país, passando de 11,8% para 19,8% da população brasileira.

A pesquisa ouviu, por telefone, 5239 pessoas maiores de 18 anos, entre fevereiro e dezembro de 2018, em 26 capitais e no Distrito Federal.

Para o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, apesar do maior consumo de vegetais, o brasileiro compra muitos itens calóricos e sem tanto valor nutricional. “Temos ainda um aumento maior de obesidade porque ainda há consumo elevado de alimentos ultraprocessados, com alto teor de gordura e açúcar.”

COMO SABER SE SOFRE DE OBESIDADE

Antes de avançar, importa saber se está em situação de risco. Para isso, calcula-se o índice de massa corporal (IMC), dividindo-se o peso (kg) pela altura ao quadrado (cm). Assim, considerando uma pessoa que meça 173 cm e pese 98 kg, o cálculo deve ser feito da seguinte forma:

= 98 ÷ (1,73 x 1,73)
= 98 ÷ 2,9929
= 32,74

De acordo com a tabela de IMC, este valor corresponde a obesidade de grau I.

Outra medida importante para a avaliação do risco de doenças relacionadas com a obesidade é o perímetro abdominal, diretamente relacionado com o risco de doenças cardiovasculares. Ainda que o IMC esteja dentro de valores normais, a cintura não pode ultrapassar os 88 cm, no caso das mulheres, e os 100 cm, no caso dos homens.

CAUSAS DA OBESIDADE

O excesso de peso e gordura resulta do excesso de calorias. Ao consumir mais do que aquilo que precisa, ou seja, ao consumir mais energia do que aquela que dispende, a gordura acumula-se no organismo.O ARTIGO CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

Uma vida sedentária, com muito pouco ou nenhum exercício físico e a ingestão de calorias acima das necessidades energéticas individuais é o combustível perfeito para a obesidade.

Estudos comprovam que existe uma predisposição genética para a obesidade, por exemplo, filhos de pais obesos têm mais riscos de obesidade. Porém, este não pode ser um dado adquirido! Com uma alimentação equilibrada e exercício fisico regular é possível inverter o quadro e a educação alimentar tem de ser iniciada desde o momento em que o bebé começa a diversificação alimentar.

CONSEQUÊNCIAS DA OBESIDADE

Não é preciso chegar a valores de obesidade de grau I, II ou obesidade mórbida para as consequências aparecerem. Por si só, o excesso de peso e sedentarismo são a causa de muitos problemas de saúde, nomeadamente:

  • Hipertensão arterial;
  • Arteriosclerose;
  • Insuficiência cardíaca congestiva;
  • Angina de peito;
  • Hiperlipidémia;
  • Alterações de tolerância à glicose;
  • Diabetes tipo 2;
  • Gota;
  • Dispneia;
  • Fadiga;
  • Síndroma de insuficiência respiratória do obeso;
  • Apneia de sono;
  • Embolismo pulmonar;
  • Esteatose hepática;
  • Litíase vesicular;
  • Cancro do cólon;
  • Infertilidade;
  • Amenorreia;
  • Incontinência urinária;
  • Hiperplasia;
  • Cancro do endométrio;
  • Cancro da mama;
  • Cancro da próstata;
  • Hipogonadismo, hipotalâmico e hirsutismo;
  • Osteartroses;
  • Insuficiência venosa crónica;
  • Risco anestésico;
  • Hérnias;
  • Propensão a quedas;
  • Degenerações das articulações (coluna, quadril, joelhos e tornozelos);
  • Fungos e infeções de pele;
  • Mobilidade reduzida;
  • Depressão;
  • Baixa autoestima.

COMO TRATAR A OBESIDADE?

O tratamento da obesidade passa pela adoção de hábitos alimentares saudáveis, respeitando as necessidades energéticas individuais. Esta é a chave para a perda de peso. O exercício físico torna-se fundamental para conseguir, não só perder peso, mas para aumentar a mobilidade.

Em último caso, e sob a recomendação médica, a cirurgia bariátrica pode ser uma solução para a perda de peso. Em qualquer caso, o acompanhamento com uma equipa multidisciplinar é fundamental para se conseguir atingir o objetivo da perda de peso de forma saudável.

Fonte: Vida Ativa

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